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segunda-feira, 9 de junho de 2025

Mensagem Pastoral de Pentecostes - 2025

Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo!

Domingo, 08 de junho, é dia de Pentecostes. Aniversário da Igreja de Jesus Cristo.

Celebramos este dia com alegria, sempre lembrando que no Natal temos DEUS CONOSCO; na Páscoa, temos DEUS POR NÓS; no Pentecostes temos DEUS EM NÓS. E isso nos enche de uma santa responsabilidade, tremenda. A presença de Deus em nossos corações, através do Espírito Santo não pode ser para nós motivo de vaidade – temos poder! – mas uma reflexão – poder para quê? -  e uma grande missão – poder para testemunhar.

Muitos querem o poder do Espírito Santo para serem grandes. Mas o Espírito, quando opera em nós deve nos fazer pequenos, os menores entre os irmãos. João Batista, um homem repleto do Espírito Santo disse a respeito de Cristo: “Convém que Ele cresça e que eu, diminua”. Somos e devemos ser sempre apenas instrumentos nas mãos de Deus, pois a obra é dele e não nossa. Somos chamados, como Cristo a servir, e não a ser servidos.

Precisamos lembrar de que o poder que o Espírito Santo nos concede (cf. Atos 1,8) é poder para ser testemunhas (martyus, no original), de onde vem a palavra mártir. O Espírito Santo nos capacita a podermos dar a nossa vida pela verdade do Evangelho num mundo relativista e cheio de situações que contrapõem o Evangelho da Graça. É muito difícil para nós, no meio de uma sociedade pós-cristã e materialista sermos fiéis a Deus e ao Evangelho. Sozinhos não conseguimos.

O Espírito Santo em nós não é para a expressão de uma espiritualidade vazia e sem propósito. São Paulo repreende severamente a Igreja de Corinto, a qual tinha muitos dons, mas era igreja mais problemática e “carnal” do Novo Testamento. Temos visto a instrumentalização do Espírito Santo para promover pastores e líderes, mas não apontar para Cristo. Temos visto muita gente “falando em línguas” – diferente do fenômeno de Atos 2 – querendo mostrar espiritualidade, mas imerso na carnalidade mais bruta e primitiva, comendo sem moderação, pensando apenas em riqueza e prosperidade material e em ser admirado e seguido nas redes. “Que tempos! Que costumes”, diriam os romanos.

O Espírito Santo está em nós para colocarmos a mão na massa. Isto significa construir uma sociedade mais justa e fraterna, onde nós vejamos Cristo no outro. Precisamos deixar de lado essa ideia de poder explosivo e pensarmos que Deus opera não no atacado, com grandes realizações, mas no varejo, em pequenas e singelas coisas. “Cuidar dos órfãos e das viúvas e manter-se incontaminado do mundo”, segundo São Tiago, é a verdadeira religião. Isso significa que precisamos da força do Espírito Santo quando o cheiro do meu próximo me incomoda, quando seu padrão de higiene não é dos melhores, quando ele vive de modo diferente do meu, quando ele tem fome e eu abundância, mas tenho o desejo de repartir, quando ele é escravizado pelo sistema e eu anuncio a libertação. Manter-se incontaminado do mundo, hoje, significa que não temos que viver em competição o tempo todo, querendo provar que somos melhores, mas simplesmente fazendo o que precisa ser feito. Significa que não podemos desistir do SER em nome do TER, ou que devemos sempre nos adequar ao que parece comum e aceitável numa sociedade onde o que certo parece errado e o errado é tido como certo.

O grande poder do Espírito Santo em nós é nos dar a capacidade de amar. Amar a Deus sobre todas as coisas, com toda alma, com todo entendimento e com todas as forças – colocando em ordem Deus – família – igreja – eu – o próximo. Esse amor não é apenas um sentimento, mas uma capacidade de servir sempre e a todos, cuidando do próprio coração também, daí amar ao próximo como a si mesmo.

Num mundo de ansiedade, depressão, fakenews, flashes, curtidas e cancelamentos, o Espírito Santo nos habilita a sermos diferentes e a fazermos diferença. Somos chamados e chamadas para levar vida, paz, amor e santidade a este mundo doente. O Espírito Santo nos ajuda a usarmos as redes sociais, por exemplo, para algo mais, para evangelizar e cuidar das pessoas. Esta tarefa não é apenas dos pastores – Bispos, Presbíteros e Diáconos – mas de todo o povo de Deus. Paremos de perder tempo nas redes e falemos de Cristo, de Paz, de amor, de compromisso com o outro. Num mundo onde as pessoas são coisificadas e as coisas valem mais do que as pessoas, sejamos emissários da velha-boa nova do Evangelho.

Guerras, fomes, desastres naturais, destruição da natureza, preconceitos, perseguições só serão vencidas se o Espírito Santo agir em nós, cristãos, e agir por nós. Ele nos capacita a sermos respostas de Deus para problemas concretos na vida cotidiana. Sozinhos, somos incapazes.

Que estejamos abertos a seu agir em nós e por nós para curar este mundo doente. Que estejamos dispostos a trabalhar por um mundo melhor para todos e todas, não apenas para alguns privilegiados. Que o Espírito Santo nos dê coragem para testemunhar Cristo alegria e singeleza de coração. Que o Espírito Santo nos faça mais cristãos, mais parecidos com o Cristo a quem seguimos.

Rev. Con. Virgilio Cezar Henrique Pereira Torres

Bispo-eleito e Presidente da Igreja Episcopal Protestante

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