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domingo, 16 de junho de 2024

A grandeza de ser pequeno

SERMÃO – 4º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES – 16 DE JUNHO DE 2024

Textos: Salmo 92; Ez 31, 1-6. 10-14; II Co 5:1-10; Mc 4, 26-34)



1. Neste mundo em que vivemos, mundo de competição, de concorrência, as pessoas têm o desejo de serem grandes, poderosas, reconhecidas. E para isso, muitos, infelizmente, fazem disso a meta da vida e para tanto usam os outros como escadas para subir.

2. Segundo Marx, “Tudo o que sólido desmancha no ar”. Exemplos disso na História não faltam. Roma, por exemplo, fundada 753 a.C (Séc. VIII) teve seu império no Ocidente até 476 d.C (séc. V), durando 12 séculos, sem contar os mais 1000 anos do Império Romano do Oriente (Bizantino). Mas onde está agora?

3. Quantas grandes empresas, indústrias, bancos e mesmo países ruíam com o tempo. A primeira leitura nos fala do Egito e seu orgulho como grande nação. Um Império gigante e longevo que se perdeu nas areias do tempo e hoje só lhe restam ruínas e artefatos arqueológicos.

4. Nada é maior que o Reino de Deus, mas sempre é apresentado, na contramão do mundo, a partir de coisas pequenas. Isso começa com o Rei deste Reino: nascido num cantinho pobre do Império Romano, no cantinho do fim do mundo, filho do Seu José e da Dona Maria, carpinteiro de profissão. Nasceu não num palácio, mas em um cocho. Foi refugiado no Egito. Entrou na sua capital real montado em um jumentinho emprestado, instituiu a Eucaristia numa sala emprestada, dizia não ter onde recostar a cabeça. Morreu não porque fosse um cara legal, bonzinho, mas por incomodar os poderosos, era considerado perigoso, um preso político. Não tinha nem mesmo uma sepultura, a sua foi-lhe emprestada por José de Arimateia. No entanto, ninguém em toda a História influenciou tanto a vida da humanidade com sua mensagem que foi, aliás, uma das causas internas da queda do Império Romano!

5. E as pessoas que o procuravam: famintos em busca de pão, adúlteras, cobradores de impostos, viúvas, crianças...seus discípulos? Pescadores, artesãos, gente da periferia do Império. Eram 12. Hoje são bilhões.

6. Lembro-me aqui de um episódio da História do Brasil, quado Rui Barbosa foi à Conferência de Paz em Haia, em 1907...ao entrar, o presidente da Conferência, querendo macular a imagem dos países latino-americanos, principalmente, jocosamente disse de Rui quando adentrou no recinto:”Por que uma porta tão grande para um homem tão pequeno”. Depois do discurso de Rui e sua participação na mesma Conferência, reconheceu: “Por que uma porta tão pequena para um homem tão grande”.

7. Grandeza é mais do que força e tamanho. Grandeza fala de humildade, de caráter, de serviço ao próximo. E esse tipo de pessoa – lembremos de Gandhi, de Luther King e de Santa Dulce dos Pobres – deixam marcas inesquecíveis na vida de centenas, de milhares, aos de perto e aos de longe.

8. Somos chamados e chamadas a sermos cidadão deste Reino – um Reino que subverte os padrões deste mundo, onde para ser grande é preciso ser pequeno, onde quem serve é maior do que quem é servido, onde somos convidados a dar a outra face, a caminhar a segunda milha, a não pagar o mal com o mal, mas com o bem, a orar pelo inimigo!

9. Segundo Stott, “ser cristão não exige muito, exige tudo”. Você está disposto e disposta a isso?

10. A semente de mostarda, pequena, é usada por Jesus para contrapor a grande árvore que fora o Egito. Quem resistiu?

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